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A informação é o melhor remédio: 4 riscos da automedicação.


medicamentos

A automedicação é um problema de saúde pública a nível mundial, e Portugal não escapa à regra. Apesar de, aparentemente, se saber que não se devem tomar medicamentos ou suplementos naturais sem a orientação de um profissional de saúde, o aumento dos locais de oferta, o crescente número de medicamentos de venda livre e sua respetiva publicidade, associada ao fácil acesso de informação na internet, pode promover a (falsa) sensação de expertise na matéria.

Não estamos com isto a dizer que ao primeiro espirro, tosse ou dor de garganta se deva ir a correr para as urgências ou para o centro de saúde mas podemos e devemos ser orientados por um profissional de saúde nas medidas a implementar sejam elas medicação de síntese, terapêuticas naturais ou outras medidas complementares.


O que queremos dizer com isto?

Que é completamente diferente por iniciativa própria decidir tomar os comprimidos “X” (porque a amiga tomou e se deu bem), do que tomar os mesmos comprimidos “X” depois de os mesmos terem sido aconselhados após uma ligação para a linha SNS24, ou após ter explicado todos os sintomas a um profissional de saúde (seja a um farmacêutico, a um enfermeiro ou numa consulta de que Naturopatia, caso nos estejamos a referir a terapêuticas naturais).


Mas se os medicamentos e produtos são de venda livre porque é que tomá-los sem falar com nenhum profissional de saúde pode ser grave?

Podíamos escrever páginas sobre isto, mas talvez seja mais fácil explicá-lo por exemplos.

1. Diagnóstico incorreto


Ao tentar se auto-diagnosticar, não sendo profissional de saúde, pode estar a errar o seu diagnóstico e a tomar medicação/suplementação errada.


Quase todos os dias nas farmácias pessoas pedem anti-tússicos (medicamentos para a tosse seca) - quando na realidade precisam de mucolíticos - (medicamentos para a tosse produtiva ou com expetoração).

Incrível não é? Até porque uma tosse seca parece fácil de distinguir de uma tosse produtiva… Pois é, o problema é que por vezes a tosse aparenta ser seca porque as secreções estão muito densas e precisam de ser fluidificadas, sendo necessário um mucolítico.

Então e é grave se tomarmos o antitússico?

Pode ser, na medida em que os antitússicos - ao inibirem o reflexo da tosse - podem fazer com que as secreções fiquem acumuladas a nível brônquico e pulmonar, podendo provocar infeções secundárias (pneumonias, broncopneumonias, etc…).

2. Administração da dose de medicamento incorreta

Mesmo que acerte no diagnóstico, a enorme variedade de opções terapêuticas naturais ou de síntese e a ainda maior variedade de dosagens faz com que a probabilidade de conseguir escolher a dose adequada à sua situação seja diminuta e com isso, ou estará a fazer dose a mais - podendo ser tóxico para o seu organismo - ou fazer dose a menos - não sendo eficaz.


Desta vez falemos da Valeriana.

A Valeriana oficinallis é uma planta medicinal bastante usada para situações de ansiedade, insónia e problemas de sistema nervoso. Se nunca ouviram falar em Valeriana, talvez já tenham ouvido falar em Valdispert®.

A Valeriana é comercializada sob as mais variadas marcas e dosagens quer em farmácias quer em ervanárias. As doses podem variar entre 45mg, 125mg, 300mg, 450mg, 500mg, entre outras e a Valeriana co-existe também em associação com outras substâncias.

Se tomarmos 500g de Valeriana estaremos a ingerir 11x mais do que se tomássemos a Valeriana de 45mg. Mas qual a indicada?

Depende da situação e depende da pessoa que a vai tomar, assim como problemas de saúde associados ou medicação que já possa tomar.

(Por isso é que normalmente não referimos dosagens quando vos falamos de exemplos de terapêuticas e/ou suplementação).



3. Possíveis interações medicamentosas


Quando se tomam vários medicamentos ou se combinam vários suplementos, aumenta-se o risco de possíveis interações medicamentosas e aumenta a possibilidade de haver efeitos secundários.


Voltemos ao exemplo da Valeriana, só para desmistificarmos o “ah.. é natural, não deve fazer mal”…

Sabia que se estiver a tomar Ferro para tratar uma anemia, mas também tomar Valeriana porque anda ansioso/a, está a prejudicar o tratamento da anemia? A Valeriana diminui a absorção do Ferro.

(Esta também é uma razão para referir toda a medicação que faz aos profissionais de saúde com quem contacta.)



4. Mascarar um problema médico


Por vezes estar a tomar medicação que alivie determinados sintomas pode mascarar outros problemas médicos que podem ser mais perigosos a longo prazo.


Sofrer de indigestão pontualmente (ou em alturas como o Natal, em que claramente se come mais do que se devia) e tomar um anti-ácido, pode não ter problema (mesmo assim, atenção à constituição dos anti-ácidos porque eles são diferentes). No entanto, ter frequentemente (mas não sempre) problemas de digestão como azia, flatulência, digestões demoradas e ir resolvendo com medicamentos para a acidez e indigestão pode estar a mascarar um problema maior. A presença da bactéria Helicobacter pylori, úlceras ou gastrite, são exemplos de problemas gástricos que podem provocar azia e más digestões mas que necessitam de outro tipo de tratamento médico e que quando não tratadas podem agravar.

Ficamos por estes 4 exemplos pois o intuito deste artigo não é assustar mas sim, chamar a atenção para algo que pode ser grave e prejudicial à sua saúde.

É urgente consciencializar a população para este problema da auto-medicação. Os profissionais de saúde devidamente credenciados investiram anos das suas vidas a estudar e mais outros tantos na experiência profissional. Não podemos esperar que a mesma sabedoria esteja toda na internet e nas redes sociais.

Na Duo podemos falar de forma geral sobre: saúde, suplementos, medicamentos e até terapias, mas não podemos dizer o que é melhor. Porque cada pessoa é única e o que é melhor para uma pessoa pode não ser para outra. Todas as terapêuticas e terapias devem ser adaptadas à sua situação. Informe-se com um profissional de saúde antes de decidir tomar algo.


Aprende a cuidar de ti.

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Referências bibliográficas:


BRUNE, M., ROSSANDER, L., HALBERG, L. Iron absorption and phenolic compounds: importance of different phenolic structures. Eur J Clin Nutr. 43, 1989, Vol. 8, pp. 547-557.


Gonçalves, S., Martins, A. P. Valeriana Officinalis. Rev. Lusófona de Ciências e Tecnologias da Saúde, 2005; (3) 2: 209-222




 

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